Antes do Snyder Cut, a narrativa já estava sendo distorcida
Antes mesmo do Snyder Cut ser oficialmente anunciado, muitos portais de notícias já afirmavam que a versão de Liga da Justiça (2017) era, sim, o corte do Zack Snyder — mesmo sabendo que a Warner Bros gastou milhões em refilmagens dirigidas por Joss Whedon, o mesmo diretor de Os Vingadores.
Quando finalmente o Snyder Cut foi confirmado, esses mesmos portais continuaram atacando o Snyder Verso, o que levanta uma contradição interessante: muitos deles se posicionam como defensores de mais representatividade no cinema, mas parecem ignorar completamente quando essa representatividade acontece dentro de um projeto ligado ao nome de Zack Snyder.

Representatividade que muitos fingem não ver
No Snyder Cut, o Ciborgue, interpretado por Ray Fisher, divide o protagonismo ao lado da Mulher-Maravilha e do Batman. Ainda assim, isso raramente é citado como um avanço real em representatividade.
Curiosamente, esses mesmos portais frequentemente pedem um Superman negro — algo que, sendo realista, provavelmente enfrentaria rejeição de parte do público. Enquanto isso, o Ciborgue, personagem já conhecido por animações como Super Amigos e Jovens Titãs, teria uma aceitação muito mais natural, exatamente por já fazer parte do imaginário popular.

Personagens cortados e oportunidades perdidas
Na versão de 2017, várias cenas importantes foram simplesmente removidas. Entre elas, as cenas da Iris West, interpretada por Kiersey Clemons, uma atriz negra, que praticamente desapareceu do filme.
Outro personagem afetado foi o Caçador de Marte, vivido por Harry Lennix, também um ator negro. Esse personagem é bastante conhecido pela Liga da Justiça animada e possui a habilidade de mudar de forma, o que facilitaria sua aceitação pelo público e abriria espaço para histórias ricas e variadas.

O caso Ryan Choi e o foco no público asiático
Outro personagem que teve cenas excluídas foi Zheng Kai, que seria revelado como Ryan Choi, o Átomo. A ideia parecia claramente mirar o público chinês, hoje extremamente relevante para o mercado cinematográfico.
Mesmo não sendo uma versão tão popular do personagem, havia um grande potencial ali: um herói asiático retratado sem estereótipos orientais, algo raro em blockbusters desse tipo.

O Lanterna Verde que nunca vimos
No plano original do Zack Snyder, não houve tempo para escalar o ator que interpretaria o Lanterna Verde, que poderia ser Hal Jordan ou John Stewart — dois personagens muito conhecidos pelo público das animações.
Com a chance de concluir o Snyder Cut, o papel acabou sendo dado a Wayne T. Carr, um ator negro. No entanto, a cena foi vetada pelo estúdio, e por isso o Lanterna Verde simplesmente não aparece no filme final.

Ciborgue, The Flash e os bastidores ignorados
Em The Flash, o Ciborgue também deveria aparecer, mas foi deixado de lado após Ray Fisher exigir um pedido de desculpas de Walter Hamada pelos acontecimentos nos bastidores das refilmagens de 2017.
Quem assistiu à participação do Flash de Ezra Miller nas séries da CW deve lembrar de uma fala curiosa: o Flash menciona que Victor Stone havia dito que aquilo poderia acontecer — e então desaparece. Uma referência clara ao Ciborgue, que acabou nunca tendo continuidade.

A pergunta que fica
Esses mesmos portais que pedem mais representatividade raramente falam sobre como atores e atrizes tiveram partes de suas carreiras prejudicadas por decisões de estúdio. Muitos lamentam o cancelamento de Batgirl ou o fato de um filme com um Superman negro ainda demorar para sair do papel.
A pergunta que fica é simples e incômoda:
representatividade só importa quando não envolve o nome de Zack Snyder?
Ou pior — só vale quando está inserida em projetos considerados “seguros”, mesmo que sejam filmes ruins?
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