Errar é humano: insistir no erro é o efeito “modinha Marvel” da DC

Errar é humano: insistir no erro é o efeito “modinha Marvel” da DC

Errar faz parte. Mas permanecer no erro é outra história. E é exatamente isso que muitos fãs enxergam na trajetória recente da Warner Bros com a DC, especialmente quando analisamos decisões envolvendo Joss Whedon e, mais recentemente, James Gunn.

Tudo isso parece seguir um mesmo padrão: tentar copiar a Marvel em vez de respeitar a identidade que a DC já tinha construído.

A Marvel, Guerra Civil e o início da corrida por comparação

Mesmo a Marvel não foi inocente nesse processo. Quando cancelou Capitão América: Sociedade da Serpente e correu atrás dos direitos do Homem-Aranha junto à Sony, o objetivo era claro: lançar Guerra Civil para competir diretamente com Batman vs Superman. O nome era forte, mas o conflito em si era artificial — um evento inflado para disputar atenção.

A decisão da Warner: abandonar o Snyderverse

Em 2017, a Warner decidiu seguir o caminho inverso do que vinha construindo. Cancelou o Snyderverse, iniciado por Zack Snyder com forte influência criativa de Christopher Nolan, e contratou Joss Whedon, diretor de Os Vingadores, para transformar Liga da Justiça em algo mais próximo do “padrão Marvel”.

O resultado foi Liga da Justiça (2017) — um filme que até conseguiu se parecer com produções da Marvel, mas fracassou comercialmente em relação ao que a Warner esperava.

O mais curioso é que muitos fãs, inclusive eu, só foram ao cinema achando que assistiriam a uma continuação direta de Batman vs Superman. Quando o filme fracassou, a culpa caiu sobre Zack Snyder. Mas se tivesse sido um sucesso, os méritos certamente seriam atribuídos a Joss Whedon.

O Hamada Verse e a crise de identidade

A partir daí, a DC entrou em uma crise de identidade criativa, conhecida informalmente como Hamada Verse:
um universo que tentava ser Marvel, mas que ainda queria se aproveitar do que dava certo no Snyderverse.

Quando um filme fazia sucesso, surgia o discurso: “Viu? O Snyder não sabia de nada.”
Quando fracassava, a culpa voltava para ele.

Exemplos são claros:

  • Mulher-Maravilha e Aquaman foram sucessos — ambos com envolvimento direto de Snyder
  • O que a Warner fez? Deu carta branca para Patty Jenkins em Mulher-Maravilha 1984
  • O resultado, todos conhecem

Esquadrão Suicida e a falsa liberdade criativa

Em 2016, Esquadrão Suicida teve interferências pesadas do estúdio, mas ainda assim alcançou um desempenho médio.
O Esquadrão Suicida (2021), dirigido por James Gunn, teve liberdade total — inclusive para matar qualquer personagem, até a Arlequina.

Mesmo assim, o desempenho foi fraco, e o filme perdeu o Oscar de 2022 para Zack Snyder’s Justice League, que venceu nas categorias de voto popular.

Mudança de CEO, mesmos erros

No meio dessa crise, a Warner passou por mudanças internas e um novo CEO assumiu. Mesmo tendo em mãos uma propriedade intelectual que venceu dois Oscars em 2022, enfrentando produções como:

  • um filme com três Homens-Aranha
  • e mais uma versão dos Vingadores

Ainda assim, a escolha foi chamar James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia, para criar um universo DC com “qualidade Marvel”.

James Gunn e o balde de água fria nos fãs

A primeira grande atitude de James Gunn como responsável pela DC Studios foi desconectar praticamente tudo:

  • Besouro Azul
  • The Flash
  • Shazam 2
  • Adão Negro
  • Aquaman 2

Nenhum desses faria parte do novo universo.

Isso mesmo com:

  • Shazam 2 tendo cena pós-créditos ligada à série Pacificador
  • A cena de gosto duvidoso com Batman de George Clooney
  • O corte da participação de Ben Affleck em Aquaman 2

Ironicamente, Aquaman 2 ainda conseguiu uma bilheteria razoável, apesar de todo o esforço contrário. James Wan sempre demonstrou respeito pelo que construiu com Snyder no primeiro filme, que mistura elementos do Snyderverse e outros fora dele.

Um universo DC “qualidade Marvel” que fracassa

O grande problema é simples:
James Gunn entregou um universo DC com qualidade Marvel, mas sem o fator modinha da Marvel.

Esse modelo nunca funcionaria. E, mais uma vez, quando os fãs apontam que esse universo não tem futuro, a culpa recai — injustamente — sobre Zack Snyder.

Sendo que, na prática:

  • Snyder teve participação direta em 4 filmes
  • E influência parcial em 1
  • Todo o restante pertence ao chamado Hamada Verse, um “universo Marvel alternativo” dentro da DC

A pergunta que fica

Como uma empresa do tamanho da Warner Bros consegue cometer o mesmo erro duas vezes?

Mesmo com CEOs diferentes, a lição continua sendo ignorada:
não repetir os erros do passado.

E talvez o maior erro da DC tenha sido tentar ser algo que ela nunca precisou ser.

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