Cego sim, surdo não: os sentidos aguçados em Cavaleiros do Zodíaco

Cego sim, surdo não: os sentidos aguçados em Cavaleiros do Zodíaco

Shiryu aprendeu a lutar sem enxergar, Shaka escolheu abrir mão da visão e Aldebaran enfrentou uma situação completamente diferente. Em Cavaleiros do Zodíaco, perder um sentido nunca significa simplesmente deixar de lutar.

Em Cavaleiros do Zodíaco, perder um dos sentidos não significa necessariamente ficar incapaz de lutar. Pelo contrário: a obra frequentemente apresenta personagens que desenvolvem outras formas de perceber o mundo e continuam sendo guerreiros extremamente poderosos.

Shiryu é um dos melhores exemplos.

Depois de ficar cego, ele precisou de algum tempo para se adaptar à nova realidade. Aos poucos, porém, conseguiu continuar lutando e desenvolveu maneiras de compensar a ausência da visão.

Shaka de Virgem apresenta uma situação ainda mais curiosa. Ele voluntariamente permanece de olhos fechados e utiliza essa condição como parte de sua própria maneira de desenvolver seus sentidos e seu Cosmo.

Então chegamos a Aldebaran.

O Cavaleiro de Touro teve uma situação completamente diferente durante a Saga de Hades. Depois de enfrentar Sorento de Sirene, ele ficou com problemas relacionados à audição e, posteriormente, acabou tendo uma participação bastante rápida contra Niobe de Deep.

É daí que surge uma brincadeira interessante:

em Cavaleiros do Zodíaco, aparentemente dá para ser cego e continuar sendo um Cavaleiro de Ouro, mas ser surdo já complica bastante.

Claro que isso é uma brincadeira com a maneira como a história apresentou cada personagem. Mas, olhando com mais atenção, existe algo realmente interessante nessa comparação.

Shiryu aprendeu a viver sem a visão

A perda da visão de Shiryu é uma das situações mais marcantes envolvendo os sentidos na série.

Ele não se adapta imediatamente.

Existe um período de dificuldade, justamente porque enxergar é algo fundamental para qualquer pessoa que precise se movimentar e lutar.

Mas Shiryu aprende a lidar com a nova condição.

Seu treinamento, sua experiência como Cavaleiro de Dragão e, principalmente, sua capacidade de perceber o Cosmo fazem com que a ausência da visão deixe de ser uma barreira absoluta.

Isso combina bastante com uma das ideias recorrentes de Cavaleiros do Zodíaco: o Cosmo permite que os guerreiros ultrapassem limitações que seriam praticamente impossíveis de superar para uma pessoa comum.

Shiryu não simplesmente recupera a visão e volta ao normal.

Ele aprende a lutar de outra maneira.

Shaka de Virgem leva isso a outro nível

Shaka apresenta uma situação ainda mais peculiar.

O Cavaleiro de Virgem frequentemente mantém os olhos fechados, e isso não acontece porque ele seja incapaz de enxergar.

Pelo contrário.

A privação voluntária da visão está relacionada à maneira como Shaka desenvolve seu Cosmo e acumula poder.

É justamente por isso que existe uma diferença interessante entre Shiryu e Shaka.

Shiryu perde a visão e precisa se adaptar.

Shaka escolhe não utilizar a visão normalmente e transforma essa condição em parte de sua própria estratégia.

Os dois demonstram que, dentro da lógica de Saint Seiya, os sentidos humanos não são necessariamente os únicos meios de percepção disponíveis para um Cavaleiro.

E então aparece Aldebaran

É aqui que a comparação fica engraçada.

Aldebaran não perdeu a visão.

Ele não decidiu lutar de olhos fechados.

Seu problema aconteceu com outro sentido.

Depois de enfrentar Sorento de Sirene, Aldebaran ficou com uma condição que afetava sua audição.

E sua situação chama atenção porque, pouco depois, ele encontra Niobe de Deep.

O resultado da batalha é rápido.

Muito rápido.

Isso acabou criando uma percepção curiosa entre os fãs.

Shiryu ficou cego?

Aprendeu a lutar.

Shaka fecha os olhos voluntariamente?

Fica ainda mais assustador.

Aldebaran tem problemas de audição?

A história praticamente diz: “esse aqui vai ter dificuldade”.

É uma brincadeira, obviamente, mas ela destaca uma diferença interessante entre os personagens.

O Cosmo deveria permitir que Aldebaran se adaptasse?

Dentro da lógica da obra, essa é uma pergunta bastante válida.

Se um Cavaleiro consegue desenvolver sua percepção do Cosmo a ponto de lutar sem depender completamente da visão, seria razoável imaginar que Aldebaran também pudesse desenvolver outras formas de percepção depois de sofrer uma perda auditiva.

Afinal, os Cavaleiros não dependem apenas dos sentidos físicos.

Eles percebem Cosmo, presença, energia e movimentos de maneiras que ultrapassam as capacidades humanas normais.

Por isso, seria perfeitamente possível imaginar uma história em que Aldebaran aprendesse a compensar sua dificuldade auditiva.

Talvez ele utilizasse ainda mais sua percepção do Cosmo.

Talvez identificasse movimentos pela vibração do ambiente.

Talvez simplesmente aprendesse a antecipar ataques observando os movimentos do adversário.

Isso poderia render uma história bastante interessante.

A dificuldade de cada personagem é diferente

Apesar da brincadeira, é importante não tratar as três situações como se fossem exatamente iguais.

Shiryu ficou cego.

Shaka voluntariamente limita sua visão.

Aldebaran sofreu uma consequência relacionada à audição.

Cada situação possui uma origem diferente e exige uma resposta diferente.

E isso torna os personagens interessantes.

Shiryu representa adaptação.

Shaka representa controle e disciplina.

Aldebaran poderia representar justamente a necessidade de superar uma limitação inesperada.

O problema é que a história não teve tempo de explorar muito essa última possibilidade.

Aldebaran teve pouco tempo para mostrar uma nova habilidade

Talvez essa seja a parte mais frustrante para quem gosta do personagem.

Aldebaran poderia ter mostrado uma evolução interessante justamente depois de enfrentar Sorento.

Imagine se a Saga de Hades tivesse dado a ele mais tempo.

O personagem poderia aparecer lutando de maneira diferente, utilizando o Cosmo para perceber seus adversários sem depender da audição da mesma maneira.

Isso também ajudaria a transformar sua dificuldade em parte da evolução do personagem.

Em vez de ser apenas uma consequência de uma batalha anterior, o problema poderia se transformar em uma nova etapa de seu desenvolvimento.

E isso combinaria perfeitamente com Cavaleiros do Zodíaco

A série sempre trabalhou com a ideia de que os Cavaleiros precisam superar seus próprios limites.

Eles enfrentam adversários muito mais poderosos.

Quebram seus próprios limites.

Aprendem novas técnicas.

Elevam o Cosmo.

E, muitas vezes, continuam lutando quando uma pessoa comum já teria desistido.

Por isso, uma história em que Aldebaran precisasse aprender a lutar com uma deficiência auditiva não pareceria estranha dentro do universo.

Na verdade, poderia ser uma oportunidade perfeita para mostrar outro aspecto do personagem.

Os sentidos têm um papel curioso na série

Quando observamos diferentes personagens, fica claro que Cavaleiros do Zodíaco possui uma relação bastante peculiar com os cinco sentidos.

A perda de um sentido não é necessariamente apresentada apenas como uma fraqueza.

Em algumas situações, ela pode até contribuir para o desenvolvimento do Cosmo.

Isso aparece de maneira especialmente evidente na história de Shaka.

A visão, portanto, não é tratada simplesmente como uma capacidade física indispensável.

O mesmo poderia ter acontecido com a audição.

Mas Aldebaran não teve oportunidade de desenvolver essa possibilidade.

A ironia é que Aldebaran já era um Cavaleiro extremamente resistente

Existe ainda uma característica que torna a situação particularmente curiosa.

Aldebaran sempre foi apresentado como um personagem de enorme força física e grande resistência.

Seu estilo de luta combina perfeitamente com sua constelação.

O Grande Chifre é uma técnica extremamente poderosa e direta, baseada na força e na explosão de energia.

Por isso, seria interessante vê-lo adaptar esse estilo depois de perder parte da capacidade auditiva.

Talvez a deficiência obrigasse Aldebaran a lutar de maneira mais instintiva.

Talvez ele precisasse confiar ainda mais em seu Cosmo.

Isso poderia acrescentar uma nova camada ao personagem.

O problema é que Niobe não deu tempo

E chegamos novamente ao ponto que motivou essa reflexão.

Aldebaran simplesmente não teve tempo suficiente para mostrar como lidaria com sua nova condição.

A história precisava avançar.

Niobe de Deep aparece, o confronto acontece e o destino de Aldebaran é definido rapidamente.

Isso funciona dentro da narrativa original, mas também deixa uma pergunta interessante para os fãs:

e se Aldebaran tivesse tido a oportunidade de se adaptar?

Talvez ele pudesse ter desenvolvido uma forma de percepção diferente.

Talvez tivesse se tornado ainda mais perigoso.

Talvez sua deficiência não tivesse feito diferença alguma em uma batalha posterior.

Nunca saberemos.

Mas seria uma ótima história para um episódio original do anime.

Cego sim, surdo não?

Então podemos voltar à brincadeira.

Shiryu:

“Fiquei cego, mas continuo lutando.”

Shaka:

“Eu fecho os olhos porque quero.”

Aldebaran:

“Fiquei com problemas de audição.”

A história:

“Então temos um problema.”

É engraçado quando colocado dessa maneira, mas também mostra como Cavaleiros do Zodíaco poderia explorar muito mais a relação entre os sentidos e o Cosmo.

A série já demonstrou que seus guerreiros podem ultrapassar limitações físicas.

A questão é que nem todos receberam o mesmo tempo para demonstrar isso.

Afinal, quem melhor lidou com a perda de um sentido?

Shiryu talvez seja o exemplo mais claro de adaptação.

Ele passou por uma dificuldade real, precisou reaprender a lutar e conseguiu continuar evoluindo.

Shaka representa outro caminho: em vez de perder a visão involuntariamente, ele utiliza a privação da visão como parte de seu treinamento e de sua estratégia.

Aldebaran, por outro lado, ficou com uma condição que poderia ter sido explorada muito mais.

E talvez seja justamente isso que torne sua situação tão curiosa.

Não sabemos até onde ele poderia ter chegado se tivesse tido tempo para transformar essa limitação em uma nova habilidade.

No fim, essa é uma das características mais interessantes de Cavaleiros do Zodíaco: os personagens frequentemente ficam mais fortes justamente quando são obrigados a ultrapassar aquilo que parecia ser seu limite.

Shiryu mostrou isso.

Shaka transformou isso em filosofia.

Aldebaran poderia ter mostrado sua própria versão desse conceito.

Você acha que Aldebaran poderia ter desenvolvido uma maneira de lutar sem depender da audição, assim como Shiryu aprendeu a lutar sem enxergar?

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