Warner Bros. comete o mesmo erro três vezes?
De Batman a Liga da Justiça e Superman, a história da DC mostra como mudanças de direção criativa podem colocar o estúdio novamente diante de problemas que já enfrentou antes.
A Warner Bros. parece ter uma dificuldade recorrente quando tenta encontrar o equilíbrio entre identidade criativa, expectativas do público e pressão por grandes resultados. Ao longo das décadas, o estúdio já mudou de direção em algumas de suas principais franquias e, em determinados momentos, tentou aproximar seus filmes de fórmulas que estavam funcionando em outros lugares.
O curioso é que essas decisões podem até produzir resultados imediatos. O problema aparece quando a mudança abandona aquilo que havia construído uma conexão específica com o público.
Foi isso que aconteceu, de maneiras diferentes, com Batman nos anos 1990 e com o universo cinematográfico da DC na década de 2010. E é justamente por isso que o novo Superman, dirigido por James Gunn, levanta uma discussão interessante: a Warner Bros. realmente aprendeu com os próprios erros ou está novamente tentando resolver problemas antigos mudando radicalmente a direção?
Antes de chegar a essa conclusão, porém, é preciso separar algumas situações que parecem semelhantes, mas não são exatamente iguais.
O caso Batman: quando a Warner quis deixar tudo mais leve
A comparação começa com Batman.
Depois do sucesso dos filmes dirigidos por Tim Burton, a Warner Bros. decidiu mudar a abordagem da franquia. Burton não dirigiu Batman Forever, de 1995, e Joel Schumacher assumiu a direção.
A mudança não aconteceu por acaso. A própria estratégia do estúdio buscava um Batman mais leve, colorido e divertido. Na época, a Warner queria uma produção com uma abordagem mais acessível e também tinha interesses comerciais relacionados ao enorme mercado de produtos licenciados.
O resultado foi um Batman muito diferente daquele apresentado em Batman e Batman Returns.
Não é necessário dizer que uma versão era necessariamente melhor do que a outra. O ponto mais interessante é perceber que a Warner identificou uma característica da produção anterior e decidiu alterá-la de maneira significativa.
A estratégia funcionou comercialmente no curto prazo. Batman Forever teve uma recepção comercial relevante e mostrou que a franquia ainda possuía força.
Mas a mudança continuou em Batman & Robin, e a reação ao filme acabou contribuindo para que a franquia cinematográfica do personagem entrasse em um período de pausa.
O problema, portanto, não estava simplesmente em tornar Batman mais leve. A questão era até onde a mudança poderia ir sem descaracterizar aquilo que fazia aquela versão do personagem funcionar.
O problema não é mudar. É mudar sem entender o que funcionava
Essa talvez seja a principal questão por trás da história da Warner com a DC.
Franquias não são apenas personagens conhecidos. Elas também possuem identidade.
Batman pode ser sombrio, divertido, exagerado, realista ou fantástico. Superman pode ser mais épico, esperançoso, dramático ou descontraído. Existem inúmeras possibilidades.
O problema aparece quando o estúdio olha para o sucesso de outra produção e tenta importar apenas a superfície daquela fórmula.
Foi justamente esse tipo de discussão que apareceu novamente quando a Marvel começou a dominar o mercado de filmes de super-heróis.
Liga da Justiça e a tentativa de mudar o rumo no meio do caminho
Anos depois, a Warner Bros. voltou a enfrentar uma situação parecida com Liga da Justiça.
Zack Snyder havia dirigido Homem de Aço e Batman vs Superman: A Origem da Justiça, estabelecendo uma determinada identidade visual e narrativa para o universo compartilhado da DC.
A estratégia não produziu o fenômeno comercial imediato que a Warner aparentemente desejava. Em vez de permitir que aquele universo evoluísse gradualmente, o estúdio passou a promover mudanças de direção.
Liga da Justiça se tornou o exemplo mais evidente dessa tentativa de correção.
Snyder deixou a direção durante a pós-produção após uma tragédia familiar, e Joss Whedon assumiu a conclusão do filme. Whedon, conhecido por dirigir Os Vingadores e Vingadores: Era de Ultron, também participou de reescritas e extensas refilmagens.
A semelhança com o caso Batman está justamente na tentativa de alterar o tom de uma franquia porque o estúdio acreditava que outra abordagem poderia produzir resultados melhores.
Só que dessa vez a mudança aconteceu quando o filme já estava em produção.
Isso tornou o processo muito mais complicado.
O resultado teatral de Liga da Justiça acabou sendo associado a uma produção marcada por mudanças criativas, refilmagens e diferenças perceptíveis entre o material originalmente desenvolvido por Snyder e o filme lançado em 2017. A própria produção enfrentou um processo de fotografia adicional bastante significativo.
Nesse caso, a questão não era simplesmente escolher um diretor diferente.
Era tentar reconstruir um filme durante sua própria produção.
A Warner estava tentando fazer o mesmo que a Marvel?
Essa comparação precisa ser feita com cuidado.
Joss Whedon realmente vinha da Marvel, e seu trabalho em Os Vingadores fazia dele uma referência natural quando a Warner procurava uma abordagem diferente para Liga da Justiça.
Mas isso não significa que contratar alguém ligado à Marvel seja, por si só, um erro.
Um profissional não deixa de ser competente porque trabalhou para outro estúdio. O problema está em acreditar que simplesmente trazer alguém associado ao sucesso de uma concorrente fará uma franquia reproduzir aquele sucesso.
O público não compra apenas o nome do diretor.
Ele compra uma história, personagens, uma identidade e uma expectativa sobre aquele universo.
E então chegamos ao Superman de 2025
É aqui que a comparação precisa de uma correção importante.
No caso de Superman, de 2025, não houve uma troca de diretor durante a produção equivalente ao que aconteceu com Liga da Justiça.
James Gunn escreveu e dirigiu o filme desde o início, enquanto Peter Safran e o próprio Gunn assumiram a liderança da nova DC Studios. A produção foi apresentada oficialmente como o primeiro longa-metragem da nova fase do universo cinematográfico da DC.
Também não é correto dizer que Superman passou por grandes refilmagens para corrigir o filme.
Gunn afirmou que houve apenas um período muito curto de novas filmagens, classificando o trabalho como pickup shots, e não como uma grande rodada de refilmagens. Ele também explicou que costuma reduzir a necessidade de refilmagens por meio de preparação antecipada e de um roteiro fechado antes do início das filmagens.
Portanto, se a comparação for especificamente sobre “a Warner trocou o diretor e precisou refazer o filme”, Superman não repete o caso de Liga da Justiça.
Mas existe outra semelhança que torna a comparação interessante.
James Gunn também veio da Marvel
James Gunn construiu grande parte de sua carreira recente dirigindo Guardiões da Galáxia para a Marvel.
Isso faz com que a contratação dele inevitavelmente lembre o caso de Joss Whedon.
Só que existe uma diferença fundamental.
Gunn não foi chamado para assumir um filme da DC já em andamento e transformá-lo em outra coisa. Ele recebeu a responsabilidade de construir uma nova fase da DC Studios.
Isso muda completamente o contexto.
A pergunta mais interessante, portanto, não é “por que a Warner chamou alguém da Marvel?”.
A pergunta é: a Warner está novamente tentando reproduzir uma fórmula que funcionou em outro lugar ou está permitindo que James Gunn construa uma identidade própria para a DC?
Pelo próprio posicionamento de Gunn, a intenção declarada é trabalhar com diferentes tons dentro desse novo universo. A proposta de Superman mistura ação, humor e coração, enquanto outros projetos anunciados para a DC possuem propostas diferentes.
Isso é diferente da simples tentativa de transformar todos os filmes em cópias de uma mesma fórmula.
O verdadeiro erro da Warner pode estar na pressa
Talvez o ponto mais importante da discussão seja menos sobre diretores e mais sobre expectativas.
Depois de Homem de Aço, a Warner tinha um universo em construção. Batman vs Superman expandiu esse universo e preparou o caminho para Liga da Justiça.
A expectativa parecia ser transformar rapidamente a DC em uma grande franquia compartilhada capaz de competir com o ritmo alcançado pela Marvel.
Mas universos cinematográficos precisam de tempo.
A Marvel também não começou com dezenas de personagens reunidos imediatamente. O modelo foi construído gradualmente até chegar a Os Vingadores.
Quando um estúdio tenta acelerar esse processo, existe o risco de transformar cada filme em uma peça de uma estratégia corporativa maior, em vez de permitir que cada produção funcione por conta própria.
Esse foi um dos problemas percebidos em diferentes momentos da história recente da DC: a sensação de que o estúdio estava tentando corrigir a rota antes mesmo de saber exatamente para onde queria ir.
O público percebe quando um estúdio não sabe qual caminho seguir
Existe uma diferença entre evolução e correção constante.
Uma franquia pode mudar.
Pode trocar atores.
Pode mudar diretores.
Pode apresentar novos estilos.
Pode até recomeçar.
O que não funciona tão bem é transmitir ao público a sensação de que cada novo filme está tentando consertar o anterior.
Batman passou por uma mudança de tom.
A DC passou por mudanças de direção.
Liga da Justiça sofreu alterações profundas durante a produção.
E agora a DC iniciou novamente um universo cinematográfico.
São situações diferentes, mas todas levantam a mesma questão sobre planejamento.
Quando uma empresa possui uma franquia tão valiosa quanto DC, não deveria ser necessário descobrir a identidade do universo a cada novo filme.
Então a história está condenada a se repetir?
Não necessariamente.
Na verdade, ainda é cedo para afirmar que Superman representa uma repetição dos erros anteriores.
O filme de 2025 inaugurou uma nova fase da DC Studios sob a liderança de James Gunn e Peter Safran.
A contratação de alguém com experiência na Marvel também não é suficiente para provar que a Warner está repetindo a estratégia de 2017.
A diferença está em como esse profissional foi colocado no projeto.
Joss Whedon entrou em Liga da Justiça em uma situação de produção já extremamente complexa, depois da saída de Snyder.
James Gunn, por outro lado, participou da concepção de Superman desde o princípio.
Essa diferença é enorme.
O que pode ser comparado não é necessariamente o resultado dos filmes, mas a tentação recorrente de Hollywood de procurar uma fórmula externa quando uma franquia não apresenta imediatamente o desempenho esperado.
O que a Warner pode aprender com o próprio passado?
A história da DC mostra que mudar não é necessariamente o problema.
O desafio é saber o que deve ser preservado antes de decidir o que precisa ser mudado.
No Batman de Tim Burton, existia uma identidade muito clara. Em Homem de Aço, Zack Snyder também estabeleceu uma identidade própria. Em Liga da Justiça, a tentativa de ajustar o projeto durante a produção demonstrou os riscos de uma mudança tardia e profunda.
Agora, com James Gunn, a DC tem a oportunidade de fazer algo diferente: construir uma nova fase com planejamento desde o início, em vez de tentar reconstruí-la no meio do caminho.
Isso não garante sucesso.
Também não significa que o novo universo será necessariamente melhor ou pior que o anterior.
Significa apenas que existe uma diferença fundamental entre começar uma nova estratégia e tentar consertar uma produção que já está em andamento.
A Warner Bros. já demonstrou várias vezes que sabe mudar.
O que a história da DC ainda está tentando responder é se o estúdio aprendeu a mudar sem abandonar a identidade que fez o público se importar com aqueles personagens.
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Você acha que a Warner Bros. finalmente aprendeu com os erros do passado ou a DC corre novamente o risco de repetir o ciclo de mudanças de direção?
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